Em resumo: a escetamina endovenosa é uma opção para a depressão de difícil controle, para a depressão com ideação suicida e, em casos selecionados, para a dor crônica (sobretudo a dor neuropática). É aplicada por via endovenosa, sempre sob supervisão médica e monitorização, com indicação individual definida em avaliação. Conduzo o tratamento na Clínica ComportaMente, em Brasília.
Existe um grupo de pacientes que já tentou vários tratamentos para a depressão e ainda assim sente que nada mudou o suficiente. É para essas situações, entre outras, que gosto de ter mais de uma ferramenta à disposição. A escetamina endovenosa é uma delas, e eu a utilizo com critério, quando a avaliação mostra que ela pode fazer sentido.
Para que a escetamina é indicada
Sempre com avaliação individual e supervisão, considero a escetamina principalmente em três situações:
- Depressão de difícil controle, quando o quadro não melhorou o suficiente com os tratamentos habituais.
- Depressão com ideação suicida, em que a rapidez de resposta pode fazer diferença. Nesses casos, a escetamina entra dentro de um cuidado mais amplo e de perto, nunca isolada. Se você está passando por um momento de crise ou pensamentos de tirar a própria vida, procure ajuda imediata: ligue para o CVV no 188 ou vá a uma emergência.
- Dor crônica, em especial a dor neuropática e a dor complexa (como a síndrome dolorosa regional complexa), em situações selecionadas.
Uma possibilidade a mais, com responsabilidade
A escetamina atua no cérebro por um caminho diferente do dos antidepressivos que costumamos usar. Essa diferença é o que a torna interessante para alguns quadros de difícil controle e para determinadas situações de dor crônica. Mas faço questão de ser transparente: ela não é para todo mundo, e o meu papel é avaliar com cuidado se, e quando, ela é indicada para você.
Como conduzo esse tratamento
A aplicação é feita por via endovenosa, em ambiente apropriado, com a monitorização necessária durante o procedimento e uma observação depois. Eu acompanho o processo do começo ao fim, junto com a equipe, e a escetamina entra sempre dentro de um plano maior, e não como uma solução isolada.
Acredito que tratamentos assim exigem serenidade e critério. Por isso, mais importante do que a técnica em si é a avaliação que vem antes dela e o acompanhamento que vem depois.
O que a ciência mostra
Gosto de explicar, com transparência, de onde vem a escetamina endovenosa. O medicamento que utilizo é o cloridrato de escetamina injetável. A via endovenosa é, na verdade, a mais estudada dessa família: a pesquisa com a cetamina venosa na depressão começou ainda em 2000 e ganhou força com o estudo de Zarate, em 2006, que mostrou melhora rápida em quadros resistentes, quase duas décadas antes de o spray nasal chegar ao mercado.
Um ponto dito de forma clara: no Brasil, o injetável é registrado na Anvisa como anestésico, e a forma aprovada especificamente para a depressão é o spray nasal de escetamina (FDA 2019, Anvisa 2020). Por isso o uso endovenoso para depressão é considerado off-label. Isso não quer dizer sem respaldo: é uma prática amparada por evidência científica, feita com termo de consentimento, monitorização e seguindo o Parecer CFM nº 20/2024.
A maior parte dos grandes estudos é com o spray nasal e com a cetamina endovenosa. Entre os trabalhos que embasam esse cuidado estão:
- Zarate et al., 2006 (Arch Gen Psychiatry): resposta rápida da cetamina endovenosa na depressão resistente.
- Singh et al., 2016 (Biol Psychiatry): escetamina endovenosa na depressão resistente.
- TRANSFORM-2, 2019 (Am J Psychiatry) e SUSTAIN-1, 2019 (JAMA Psychiatry): escetamina em spray nasal.
- Correia-Melo et al., 2020 (J Affect Disord): escetamina comparada à cetamina, ambas endovenosas.
- McIntyre et al., 2021 (Am J Psychiatry): consenso internacional sobre o uso.
- ESCAPE-TRD, 2023 (NEJM): escetamina na depressão resistente.
Nada disso substitui a avaliação individual: os estudos orientam a decisão, mas quem define se a escetamina faz sentido para você é a consulta.
Vamos avaliar juntos
Se você vive uma depressão que parece não ceder, ou quer entender se a escetamina pode te ajudar, o caminho é começarmos por uma conversa. A partir da avaliação, eu te oriento com honestidade sobre as opções que fazem sentido para o seu caso.
Em vídeo

Perguntas frequentes
Quando você considera a escetamina para um paciente?
Penso na escetamina em quadros de depressão que não melhoraram com os tratamentos habituais, na depressão com ideação suicida, em que a rapidez de resposta pode ajudar, e, em situações selecionadas, na dor crônica. Nunca é uma indicação automática. Ela nasce de uma avaliação completa da sua história e do seu momento.
Por que a escetamina é diferente dos antidepressivos comuns?
Porque ela atua por um mecanismo diferente. Isso abre uma possibilidade a mais para quem já tentou outros caminhos sem o resultado esperado. Ainda assim, a decisão é sempre individual e feita com cuidado.
Como é feita a aplicação?
A aplicação é endovenosa e acontece em ambiente adequado, com monitorização durante o procedimento e um período de observação depois. Todo o processo é conduzido e supervisionado por mim e pela equipe médica.
A escetamina é segura?
Como todo tratamento, ela tem indicações, contraindicações e cuidados próprios. Justamente por isso é feita com avaliação prévia, critério e acompanhamento de perto. Conversamos sobre os detalhes do seu caso na avaliação.
A escetamina endovenosa é aprovada para depressão?
A forma aprovada especificamente para a depressão é o spray nasal de escetamina (FDA 2019, Anvisa 2020). O uso endovenoso é off-label, o que não significa sem respaldo. É amparado por evidência científica e feito com termo de consentimento, monitorização e seguindo o Parecer CFM nº 20/2024. A via endovenosa, inclusive, é a mais estudada historicamente.
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